As vítimas, cujas identidades não foram reveladas, foram socorridas por ambulâncias do Samu e levadas para o Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha. Ainda não há informações sobre o estado de saúde das vítimas. Policiais militares do 41º BPM (Irajá) fazem uma varredura na região em busca dos criminosos.
A confusão aconteceu por volta das 8h30. Uma das vítimas aguardava em um ponto de ônibus próximo à padaria, quando foi atingida por uma bala perdida. Segundo relatos, ela estava a caminho do trabalho. No momento do tiroteio, houve gritos e correria.
— Eu tinha saído da padaria com minha esposa e uma amiga. Quando entramos no carro começamos a ouvir tiros. Achamos que era de longe, mas quando olhei para o lado vi a escolta passando correndo com as armas. Nós três abaixamos na mesma hora. Fiquei nervoso e quando consegui ligar o carro acabei batendo num gelo baiano, sem ter como sair dali. Nos abaixamos dentro do carro e ficamos ouvindo os tiros. Foram todos na parte traseira. Quatro balas vazaram o vidro traseiro. Deus nos protegeu — conta o dono do veículo, identificado apenas como Luiz.
Uma moradora do bairro, que se identificou apenas como Cristiana, estava caminhando para o ponto de ônibus próximo à padaria quando viu seguranças da empresa de cigarros atirando na direção dela. Virou para trás e se deparou com os bandidos, que também atiravam.
— Eu fiquei no meio do tiroteio. Comecei a correr na direção de alguns carros que estavam escacionados e me joguei embaixo de um carro. Fiquei com braços e pernas ralados. Quando vi que os tiros estavam espaçando, corri mais. Eu só pensava em salvar minha vida — conta ela: — Moro aqui há 30 anos e nunca presenciei uma cena dessa.
— O carro da Souza Cruz chegou e eu não estava prestando muita atenção, mas, de repente, apareceram os bandidos com fuzil. Os vigilantes reagiram e se escoraram no meu carro, que acabou ficando avariado pelas balas. Teve correria na padaria. Algumas pessoas correram para o banheiro. Outras, como eu, se jogaram no chão. Vi as balas passando do meu lado, mas graças a Deus não aconteceu nada comigo. Nasci outra vez — diz.
De acordo com um funcionário da padaria, os seguranças contaram que haviam sofrido outras duas tentativas de assalto no início da semana.
— O grande problema é que os carros de entrega da Souza Cruz são muito visados — diz o funcionário, que prefere não se identificar: — Ficou todo mundo assustado. A gente fica bem em frente a um shopping, não é normal ter problemas desse tipo por aqui.
Em nota, a Souza Cruz afirma que "roubo de carga é uma questão de segurança pública e um desafio para o Estado brasileiro, que vê afetadas as empresas que transportam suas mercadorias pelas vias públicas do país". A empresa diz ainda que investe em segurança e treinamento para seus colaboradores e "apoia prioridades para a solução desta questão, como agravamento penal do roubo e receptação de carga, suspensão do CNPJ das empresas envolvidas na receptação e criminalização do uso de bloqueadores de sinal".
"A Souza Cruz informa que houve intensa troca de tiros durante tentativa de assalto na Avenida Meriti, em Vicente de Carvalho. Criminosos abordaram o carro de entregas da empresa e, durante o ataque, infelizmente, dois pedestres que passavam pelo local foram baleados. Os feridos foram socorridos e conduzidos para o hospital Getúlio Vargas, na Penha.
Reforçamos que roubo de carga é uma questão de segurança pública e um desafio para o Estado brasileiro, que vê afetadas as empresas que transportam suas mercadorias pelas vias públicas do país. A Souza Cruz investe significativamente em segurança e treinamento para seus colaboradores e apoia prioridades para a solução desta questão, como agravamento penal do roubo e receptação de carga, suspensão do CNPJ das empresas envolvidas na receptação e criminalização do uso de bloqueadores de sinal".
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