Diretor de emergências da entidade, Michael Ryan, afirmou que a situação na América do Sul está 'longe' de ser estável.
Dos 10 países que reportaram mais casos nesse período, afirmou Ryan, 5
estavam nas Américas: Brasil, Estados Unidos, Peru, Chile e México.
Países com mais casos reportados à OMS entre 31/05 e 01/06
| PAÍS | CASOS |
| Brasil | 33.274 |
| Estados Unidos | 17.962 |
| Rússia | 9.035 |
| Índia | 8.392 |
| Peru | 7.386 |
| Chile | 4.830 |
| Paquistão | 2.964 |
| México | 2.885 |
| Bangladesh | 2.545 |
| Irã | 2.516 |
"Os países que tiveram os maiores aumentos, entretanto, foram Brasil, Colômbia, Chile, Peru, México, Bolívia", disse.
"E nós estamos vendo um aumento progressivo de casos diariamente em
vários países diferentes", completou Ryan. "Os países têm tido que
trabalhar muito, muito duro para entender a escala de infecção, mas,
também, os sistemas de saúde estão começando a ficar sob pressão em toda
a região".
O diretor de emergências demonstrou preocupação em particular com o Haiti,
"por causa da fraqueza inerente no sistema [de saúde]", disse. "Existem
outros países nas Américas em que os sistemas de saúde também são
fracos".
Ele pontuou, ainda, que há respostas diferentes à pandemia em cada país da região.
30 de maio: coveiro usa roupas de proteção contra a Covid-19 no
Cemitério Municipal Recanto da Paz, em Breves, no Pará, próximo à Ilha
de Marajó. — Foto: Tarso Sarraf/AFP
"Nós vemos muito bons exemplos de países que têm uma abordagem do governo inteiro, da sociedade inteira, baseada na ciência, e vemos em outras situações uma falta e uma fraqueza nisso", disse.
Ryan também afirmou que a situação da pandemia na América do Sul está "longe de ser estável", e que não acredita que a região tenha chegado ao pico da pandemia. Ele pediu solidariedade aos países da região.
"Há muitas semanas, o mundo estava muito preocupado com o que
aconteceria no sul da Ásia ou na África, e, até certo ponto, a situação
nesses dois cenários ainda é difícil, mas é estável. Claramente, a situação em muitos países da América do Sul está longe de ser estável. Houve um aumento rápido de casos e aqueles sistemas [de saúde] estão sofrendo cada vez mais pressão", declarou.
10 de abril de 2020 - Crianças assistem a Jorge Alexandre jogar
desinfetante no Morro Santa Marta, comunidade do Rio, para evitar a
contaminação do novo coronavírus no Brasil — Foto: Leo Correa/AP
Ele também falou de fatores como a pobreza urbana contribuirem para que a região seja a principal zona de transmissão do vírus hoje.
"Eu certamente descreveria que a América Central e a do Sul, em particular, com muita certeza se tornaram zonas de transmissão desse vírus hoje. E eu não acredito que chegamos ao pico dessa transmissão. E, neste momento, eu não posso prever quando vamos chegar", completou.
"Mas o que nós precisamos, sim, fazer é mostrar solidariedade aos
países da América Central e do Sul. Precisamos ficar com eles, fornecer o
apoio que pudermos para ajudá-los a superar esse vírus, como fizemos
coletivamente para países em outras regiões. Esse é o momento de
ficarmos juntos e não deixar ninguém para trás", disse.

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